Exercícios sobre o Período Regencial no Brasil - com gabarito

Apresentamos vários exercícios sobre a história do Período Regencial no Brasil.

 


1. Sobre o contexto político do Período Regencial no Brasil, é correto afirmar que:

a) O período foi marcado pela centralização do poder nas províncias, reduzindo a autonomia regional.
b) As regências procuraram administrar as disputas entre forças políticas que defendiam diferentes graus de centralização e autonomia provincial.
c) A criação da Guarda Nacional resultou em um enfraquecimento do controle das elites regionais.
d) O Ato Adicional de 1834 limitou a autonomia provincial, fortalecendo o governo central.
e) A Revolta dos Malês foi um movimento de caráter exclusivamente militar e não envolveu civis.


2. Um dos principais desafios enfrentados durante o Período Regencial foi:

a) A necessidade de consolidar a autoridade do governo central em meio a revoltas regionais e disputas políticas.
b) A imposição do voto censitário como forma de ampliar a participação popular.
c) A manutenção da ordem política por meio de alianças com potências europeias.
d) A oposição de Portugal, que tentava retomar o controle do Brasil.
e) A formação de uma monarquia parlamentarista sob liderança militar.


3. O Ato Adicional de 1834 trouxe uma importante mudança ao:

a) Criar o cargo de regente vitalício, concentrando o poder no Rio de Janeiro.
b) Extinguir as assembleias provinciais, transferindo as decisões para o governo central.
c) Restaurar o poder político de Dom Pedro I, que havia abdicado do trono.
d) Ampliar a autonomia provincial com a criação de assembleias legislativas.
e) Estabelecer o sufrágio universal para todas as classes sociais.


4. As revoltas regenciais apresentaram diferentes motivações políticas e sociais. Entre os fatores que contribuíram para a ocorrência desses movimentos, destaca-se:


a) A oposição generalizada das elites regionais à ampliação da autonomia administrativa das províncias.
b) O apoio incondicional das elites rurais às políticas centralizadoras adotadas pelo governo regencial.
c) A combinação de disputas pelo poder provincial, desigualdades sociais e insatisfação com as autoridades imperiais.
d) A ausência de conflitos entre grupos políticos locais, que concentravam suas reivindicações em questões militares.
e) O controle absoluto das atividades econômicas provinciais pelo governo central, que impedia qualquer iniciativa comercial.


5. A Cabanagem, ocorrida durante o Período Regencial, foi caracterizada por:

a) A união permanente entre as elites e os setores populares na luta contra o governo central.
b) A participação exclusiva das elites agrárias na defesa de seus privilégios.
c) A ausência de violência, sendo uma revolta pacífica e baseada em negociações.
d) A rápida repressão do governo imperial, sem resistência significativa.
e) A intensa participação de grupos populares do Grão-Pará, que contestavam as desigualdades sociais e a exclusão política.


6. A Guarda Nacional foi criada durante o Período Regencial com o objetivo de:

a) Substituir as forças militares portuguesas ainda presentes no Brasil.
b) Servir como força auxiliar para garantir a ordem interna, fortalecendo também a influência das elites regionais.
c) Integrar os escravizados à vida militar e oferecer-lhes alforria.
d) Promover exclusivamente a defesa das fronteiras contra possíveis invasões estrangeiras.
e) Eliminar qualquer influência política das províncias sobre o governo central.


7. A Regência Una de Feijó foi marcada por:

a) A aliança permanente entre liberais e conservadores, que eliminou as disputas políticas existentes no Império.
b) A instauração de um governo militar sustentado pela participação direta das camadas populares.
c) A estabilidade política e a pacificação das províncias, que fortaleceram a autoridade do regente.
d) A intensificação das dificuldades políticas e dos conflitos regionais, especialmente a Cabanagem e a Farroupilha.
e) A realização de reformas econômicas que eliminaram as desigualdades sociais e beneficiaram os trabalhadores pobres.


8. A Sabinada foi uma revolta regencial que teve como principal característica:

a) A tentativa de estabelecer uma república na Bahia, que deveria durar até a maioridade de Dom Pedro II.
b) A reivindicação de maior participação política exclusivamente para as elites mercantis portuguesas.
c) O apoio das forças militares imperiais à causa rebelde, garantindo a independência definitiva da província.
d) A defesa da restauração do domínio português sobre a Bahia, com o retorno das instituições coloniais.
e) A ausência completa de participação de militares e integrantes dos setores populares no movimento.


9. A descentralização política promovida no Período Regencial visava:

a) Criar um sistema político baseado no parlamentarismo britânico, eliminando a autoridade das instituições provinciais.
b) Estabelecer eleições diretas para todos os cargos públicos, garantindo ampla participação das camadas populares.
c) Fortalecer a autonomia administrativa e legislativa das províncias, reduzindo a concentração de determinadas atribuições no governo central.
d) Concentrar todos os poderes políticos na capital do Império, impedindo a atuação das autoridades provinciais.
e) Substituir a monarquia constitucional por repúblicas provinciais plenamente independentes do governo imperial.


10. A Revolta dos Malês, ocorrida na Bahia durante o Período Regencial, teve como uma de suas principais características:

a) A defesa da independência da província baiana e de sua reincorporação ao território português.
b) A organização de uma rebelião liderada por grandes proprietários rurais contrários ao governo regencial.
c) A formação de um movimento militar destinado a estabelecer uma monarquia sob liderança europeia.
d) A mobilização de comerciantes que exigiam maior autonomia econômica em relação ao governo central.
e) A organização de africanos escravizados e libertos, principalmente muçulmanos, em uma rebelião contra a escravidão e a opressão.


11. Dentre as principais características do Período Regencial, destaca-se:

a) A ausência de revoltas populares, devido ao controle militar centralizado.
b) A grande instabilidade política, com diversas revoltas regionais.
c) A participação ativa do imperador em todas as decisões políticas.
d) A implementação de reformas econômicas de caráter socialista.
e) O fortalecimento das relações diplomáticas com os países vizinhos como principal elemento de estabilidade interna.


12. A Balaiada, ocorrida no Maranhão, foi um movimento que:

a) Representou a participação de grupos populares em uma revolta contra as elites locais e as autoridades imperiais.
b) Teve como principal reivindicação a ampliação dos privilégios políticos dos grandes proprietários rurais.
c) Contou com o apoio irrestrito do governo regencial para estabelecer uma administração provincial independente.
d) Defendia a manutenção da ordem social e política, combatendo qualquer tentativa de transformação das relações de poder.
e) Foi uma revolta exclusivamente conduzida por militares descontentes com os salários pagos pelo governo imperial.

 

13. Sobre as transformações políticas e institucionais ocorridas durante o Período Regencial, analise as afirmações abaixo e classifique-as como verdadeiras (V) ou falsas (F).

( ) A Regência Trina Provisória foi estabelecida após a abdicação de Dom Pedro I, com a finalidade de administrar temporariamente o Império até a escolha dos integrantes da Regência Trina Permanente.

( ) O Código de Processo Criminal de 1832 ampliou as atribuições dos juízes de paz, fortalecendo a atuação de autoridades locais na administração da Justiça.

( ) A Lei Interpretativa do Ato Adicional, aprovada em 1840, ampliou a autonomia das assembleias provinciais e eliminou a possibilidade de intervenção do governo central nas questões locais.

( ) O chamado Regresso Conservador representou uma reação às reformas descentralizadoras, buscando fortalecer a autoridade do governo central.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.

a) V – F – V – F.
b) F – V – F – V.
c) V – V – F – V.
d) V – F – F – V.
e) F – V – V – F.




14. Durante o Período Regencial, diferentes grupos políticos disputaram os rumos da monarquia brasileira. Os __________________ defendiam reformas políticas mais profundas e maior autonomia provincial. Os __________________, por sua vez, desejavam o retorno de Dom Pedro I ao trono brasileiro. Já os __________________ procuravam preservar a monarquia constitucional, defendendo reformas mais limitadas e a manutenção da ordem política.

Assinale a alternativa que completa corretamente as lacunas, respeitando a ordem apresentada.

a) restauradores – moderados – exaltados.
b) moderados – exaltados – restauradores.
c) conservadores – republicanos – restauradores.
d) exaltados – moderados – restauradores.
e) exaltados – restauradores – moderados.



15. Durante o Período Regencial, diferentes medidas e acontecimentos contribuíram para as transformações das instituições políticas brasileiras. Relacione os elementos da coluna I com suas respectivas características na coluna II.

Coluna I

1. Regência Trina Permanente

2. Código de Processo Criminal de 1832

3. Lei Interpretativa do Ato Adicional

4. Golpe da Maioridade


Coluna II

( ) Antecipou o início do governo pessoal de Dom Pedro II, encerrando o Período Regencial.

( ) Estabeleceu mudanças na organização da Justiça criminal, ampliando inicialmente as atribuições dos juízes de paz.

( ) Representou uma medida de orientação centralizadora, restringindo competências anteriormente atribuídas às províncias.

( ) Foi formada por três regentes eleitos pela Assembleia Geral para administrar o Império durante a menoridade de Dom Pedro II.

Assinale a alternativa que apresenta a associação correta, de cima para baixo.

a) 4 – 2 – 3 – 1.
b) 1 – 3 – 2 – 4.
c) 4 – 3 – 1 – 2.
d) 2 – 4 – 3 – 1.
e) 3 – 2 – 4 – 1.





GABARITO EXPLICATIVO:


1. b) As regências procuraram administrar as disputas entre forças políticas que defendiam diferentes graus de centralização e autonomia provincial.

O Período Regencial (1831-1840) foi marcado por disputas entre grupos políticos que defendiam diferentes projetos para o Império. Moderados, exaltados e restauradores divergiam sobre a organização do poder. Os governos regenciais enfrentaram o desafio de administrar esses conflitos e preservar a unidade territorial brasileira.



2. a) A necessidade de consolidar a autoridade do governo central em meio a revoltas regionais e disputas políticas.

Após a abdicação de Dom Pedro I, em 1831, o Brasil enfrentou uma grave instabilidade política. Revoltas como a Cabanagem, a Farroupilha e a Sabinada desafiaram a autoridade imperial. O governo regencial precisava garantir a unidade territorial e fortalecer as instituições políticas diante das disputas entre as elites e das reivindicações populares.



3. d) Ampliar a autonomia provincial com a criação de assembleias legislativas.

O Ato Adicional de 1834 modificou a Constituição de 1824 e criou assembleias legislativas provinciais, concedendo maior autonomia administrativa às províncias. Também substituiu a Regência Trina pela Regência Una e extinguiu o Conselho de Estado. Essas mudanças representaram uma tentativa de conciliar a unidade do Império com as reivindicações de descentralização política.



4. c) A combinação de disputas pelo poder provincial, desigualdades sociais e insatisfação com as autoridades imperiais.

As revoltas regenciais tiveram causas variadas, relacionadas às disputas entre grupos políticos, à insatisfação com o governo central e às profundas desigualdades sociais. Enquanto alguns movimentos defendiam maior autonomia provincial, outros expressavam reivindicações de trabalhadores pobres, indígenas, escravizados e libertos. Essas diferenças demonstram a diversidade dos conflitos ocorridos no período.



5. e) A intensa participação de grupos populares do Grão-Pará, que contestavam as desigualdades sociais e a exclusão política.

A Cabanagem (1835-1840) contou com intensa participação de indígenas, negros, mestiços e outros setores populares do Grão-Pará. Os revoltosos contestavam a exclusão política e as profundas desigualdades sociais. O movimento chegou a conquistar o controle de Belém, mas foi violentamente reprimido pelas forças imperiais, causando milhares de mortes.



6. b) Servir como força auxiliar para garantir a ordem interna, fortalecendo também a influência das elites regionais.

Criada em 1831, a Guarda Nacional tinha a função de auxiliar na manutenção da ordem interna e na defesa das instituições imperiais. Sua organização favoreceu a influência política dos grandes proprietários rurais, que frequentemente ocupavam postos de comando. A instituição contribuiu para fortalecer o poder das elites locais e reprimir movimentos considerados ameaçadores à ordem estabelecida.



7. d) A intensificação das dificuldades políticas e dos conflitos regionais, especialmente a Cabanagem e a Farroupilha.

A Regência Una de Diogo Antônio Feijó (1835-1837) enfrentou forte oposição política e graves conflitos provinciais, especialmente a Cabanagem e a Farroupilha. A dificuldade para controlar as rebeliões e a perda de apoio parlamentar contribuíram para sua renúncia, em 1837. Seu governo evidenciou as dificuldades enfrentadas pelo Império para conciliar a autoridade central com os interesses provinciais.



8. a) A tentativa de estabelecer uma república na Bahia, que deveria durar até a maioridade de Dom Pedro II.

A Sabinada (1837-1838) foi uma revolta ocorrida em Salvador, liderada por Francisco Sabino e outros opositores do governo regencial. Os rebeldes proclamaram uma república baiana, cuja existência deveria durar até a maioridade de Dom Pedro II. O movimento expressou a insatisfação com o governo central e terminou após violenta repressão das tropas imperiais.



9. c) Fortalecer a autonomia administrativa e legislativa das províncias, reduzindo a concentração de determinadas atribuições no governo central.

A descentralização política buscava atender às reivindicações de grupos que defendiam maior autonomia administrativa e legislativa para as províncias. O Ato Adicional de 1834 representou a principal medida nesse sentido. Entretanto, a autonomia provincial continuava limitada pela Constituição imperial e pela autoridade do governo central.



10. e) A organização de africanos escravizados e libertos, principalmente muçulmanos, em uma rebelião contra a escravidão e a opressão.

A Revolta dos Malês, ocorrida em Salvador em 1835, foi organizada principalmente por africanos muçulmanos, escravizados e libertos. Os participantes buscavam enfrentar a escravidão e a dominação exercida pelas autoridades. A religião islâmica teve grande importância na organização do movimento, contribuindo para a formação de redes de solidariedade e comunicação entre os revoltosos.



11. b) A grande instabilidade política, com diversas revoltas regionais.

O Período Regencial foi caracterizado por intensas disputas políticas e conflitos sociais. A ausência de um imperador em exercício, as divergências entre centralizadores e descentralizadores e as desigualdades existentes nas províncias favoreceram a ocorrência de rebeliões. Esses conflitos ameaçaram a estabilidade do Império e contribuíram para a antecipação da maioridade de Dom Pedro II, em 1840.



12. a) Representou a participação de grupos populares em uma revolta contra as elites locais e as autoridades imperiais.

A Balaiada (1838-1841), ocorrida no Maranhão, teve expressiva participação de vaqueiros, artesãos, trabalhadores pobres e escravizados. O movimento surgiu em um contexto de disputas políticas locais e profundas desigualdades sociais. Entre seus líderes destacaram-se Manuel Francisco dos Anjos Ferreira, conhecido como Balaio, e Cosme Bento das Chagas. A revolta foi reprimida pelas forças imperiais comandadas por Luís Alves de Lima e Silva, futuro Duque de Caxias.



13. c) V – V – F – V.

I. Verdadeira. A Regência Trina Provisória foi organizada em abril de 1831, após a abdicação de Dom Pedro I, para garantir a continuidade do governo até a eleição da Regência Trina Permanente.

II. Verdadeira. O Código de Processo Criminal de 1832 concedeu importantes atribuições aos juízes de paz, que eram autoridades locais eleitas. Essa medida contribuiu para a descentralização da administração da Justiça.

III. Falsa. A Lei Interpretativa do Ato Adicional, aprovada em 1840, restringiu competências das assembleias provinciais e fortaleceu a autoridade central, representando uma reação às reformas descentralizadoras de 1834.

IV. Verdadeira. O Regresso Conservador buscou fortalecer o governo central e limitar determinadas atribuições concedidas às províncias, com o objetivo de restabelecer a autoridade imperial e controlar a instabilidade política.



14. e) exaltados – restauradores – moderados.

Os exaltados defendiam reformas políticas mais profundas, incluindo maior autonomia provincial, e alguns apoiavam propostas republicanas. Os restauradores, também conhecidos como caramurus, desejavam o retorno de Dom Pedro I ao poder. Os moderados defendiam a preservação da monarquia constitucional, a manutenção da ordem e reformas políticas mais limitadas. Esses grupos exerceram importante influência nas disputas políticas dos primeiros anos do Período Regencial.



15. a) 4 – 2 – 3 – 1.

4. Golpe da Maioridade. Ocorrido em 1840, antecipou a maioridade política de Dom Pedro II, que assumiu o trono aos 14 anos, encerrando o Período Regencial e iniciando o Segundo Reinado.

2. Código de Processo Criminal de 1832. Reorganizou a Justiça criminal e ampliou as atribuições dos juízes de paz, fortalecendo temporariamente a influência das autoridades locais.

3. Lei Interpretativa do Ato Adicional. Aprovada em 1840, restringiu determinadas competências provinciais e representou uma importante medida do processo de recentralização política do Império.

1. Regência Trina Permanente. Instituída em 1831, foi composta por Francisco de Lima e Silva, José da Costa Carvalho e João Bráulio Muniz. Seus integrantes governaram até 1835, quando a Regência Una passou a substituir o sistema de governo exercido por três regentes.

 

 

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Por Jefferson Evandro Machado Ramos (professor e historiador graduado em História pela FFLCH-USP).

Publicado em 23/01/2025 e atualizado em 11/10/2026

 

Fontes:

 

MELLO, Maria Tereza Chaves de. A República Consentida: a cultura política do início da República no Brasil. Rio de Janeiro: FGV, 2007.


BASILE, Marcello. Anarchy e Ordem: a Imprensa e a Política na Regência. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2009.

 

PILETTI, Nelson. História e Vida Integrada. São Paulo: Editora Ática, 1998.

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