Exercícios sobre a Revolta dos Malês - com gabarito
Teste seus conhecimentos sobre a Revolta dos Malês através de 13 exercícios de formatos diversificados.
1. A Revolta dos Malês, ocorrida em Salvador, em 1835, foi um levante organizado por africanos muçulmanos, escravizados e libertos. Qual era uma das principais reivindicações dos participantes?
a) A independência da província baiana sob o comando dos senhores de engenho.
b) O combate à escravidão e à opressão religiosa sofrida pelos africanos muçulmanos.
c) A defesa da monarquia portuguesa e do retorno do Brasil à condição de colônia.
d) O combate à presença inglesa no comércio de africanos escravizados.
e) A criação de um governo republicano com apoio dos senhores de engenho.
2. A Revolta dos Malês teve grande impacto na sociedade baiana do século XIX. Um dos fatores que contribuíram para sua eclosão foi:
a) O aumento do preço do açúcar no mercado internacional.
b) O declínio da mineração em Minas Gerais.
c) A abolição gradual da escravidão.
d) A vitória dos liberais na política imperial.
e) A repressão às práticas religiosas islâmicas e a discriminação sofrida pelos africanos.
3. Sobre os participantes da Revolta dos Malês, é correto afirmar que:
a) Eram predominantemente africanos escravizados e libertos, muitos deles muçulmanos, entre os quais havia pessoas que sabiam ler e escrever em árabe.
b) Eram, em sua maioria, indígenas e mestiços do interior baiano.
c) Eram colonos europeus contrários à escravidão.
d) Foram apoiados pelos senhores de engenho.
e) Pertenciam às elites urbanas de Salvador.
4. Qual alternativa apresenta dois fatores que contribuíram para a derrota da Revolta dos Malês?
a) A traição de todos os líderes africanos e o abandono da luta pelos participantes.
b) A adesão das tropas portuguesas ao movimento e a falta de apoio dos comerciantes.
c) A denúncia antecipada dos planos do levante e a superioridade militar das forças repressoras.
d) A fuga dos líderes para o interior e a inexistência de confrontos armados.
e) A intervenção militar britânica e o apoio dos revoltosos ao governo imperial.
5. Após a Revolta dos Malês, as autoridades da Bahia intensificaram medidas destinadas a:
a) Incentivar a imigração africana e ampliar a participação política dos libertos.
b) Garantir a livre prática do islamismo e reconhecer suas instituições religiosas.
c) Ampliar os direitos civis dos africanos escravizados.
d) Reprimir reuniões e práticas religiosas africanas, além de vigiar mais intensamente a população africana.
e) Conceder anistia geral aos revoltosos e encerrar as perseguições.
6. Explique o papel da religião islâmica na organização e na identidade dos revoltosos durante a Revolta dos Malês.
7. Analise como a Revolta dos Malês expressou as tensões sociais e raciais existentes no Brasil do período imperial.
8. Coloque V (verdadeiro) ou F (falso) nas frases abaixo:
a. ( ) A Revolta dos Malês foi um movimento político liderado pela elite baiana.
b. ( ) Os malês eram africanos muçulmanos que planejavam libertar os escravizados e impor sua fé.
c. ( ) O levante foi rapidamente controlado pelas forças do governo.
d. ( ) Após o movimento, houve maior tolerância religiosa no Brasil.
9. Complete o parágrafo com as palavras faltantes:
A Revolta dos ____________, ocorrida em ____________, foi um levante de escravizados africanos muçulmanos que buscavam a ____________ e o direito de praticar sua ____________.
10. Relacione os elementos da Revolta dos Malês às suas características:
1 - Liderança
2 - Local
3 - Causa principal
4 - Consequência
a) Salvador, Bahia
b) Repressão e punição severa aos envolvidos
c) Líderes africanos muçulmanos alfabetizados em árabe
d) Desejo de liberdade e defesa da fé islâmica
1. ( )
2. ( )
3. ( )
4. ( )
11. Leia o trecho abaixo e responda:
“A Revolta dos Malês revelou a força das comunidades africanas na Bahia, mas também o medo das elites diante de possíveis novas insurreições de escravizados.”
Com base nesse texto, explique por que as elites coloniais temiam movimentos como a Revolta dos Malês.
12. Crie um pequeno texto de um parágrafo, historicamente correto, utilizando as palavras: Bahia, islamismo, escravidão, resistência, malês.
13. Leia o texto abaixo, que apresenta quatro informações historicamente incorretas sobre a participação das mulheres africanas na Revolta dos Malês.
"A participação feminina na Revolta dos Malês foi inexistente, pois as mulheres africanas estavam completamente afastadas das atividades políticas e das redes de comunicação em Salvador. Todas as mulheres que tiveram conhecimento da conspiração apoiaram os revoltosos e mantiveram segredo sobre seus planos. As autoridades brasileiras proibiam as mulheres africanas de trabalhar no comércio de rua, impedindo que circulassem pela cidade. Após a revolta, nenhuma mulher sofreu consequências relacionadas às investigações e à repressão."
Com base em seus conhecimentos históricos, identifique os quatro erros presentes no texto e reescreva cada informação de maneira historicamente correta.
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GABARITO:
1. b
A revolta expressou a resistência de africanos escravizados e libertos à escravidão, à discriminação e à repressão religiosa. Os insurgentes pretendiam modificar as relações de poder em Salvador, embora os detalhes de seu projeto político não sejam inteiramente conhecidos.
2. e
Os africanos muçulmanos enfrentavam restrições às suas práticas religiosas, em uma sociedade marcada pela escravidão e pelo predomínio do catolicismo. Essa situação, associada à violência e à discriminação, contribuiu para a organização do levante de 1835.
3. a
O movimento reuniu principalmente africanos escravizados e libertos, com forte presença de nagôs e de adeptos do islamismo. Alguns participantes dominavam a leitura e a escrita em árabe, utilizadas em práticas religiosas e na circulação de textos entre integrantes dessas comunidades.
4. c
Os planos do levante foram denunciados às autoridades antes de sua execução, prejudicando a organização dos insurgentes. Durante os confrontos de 25 de janeiro de 1835, as forças mobilizadas para reprimir a revolta também dispunham de maior poder de fogo, contribuindo para sua derrota.
5. d
Após a derrota do movimento, as autoridades intensificaram a vigilância sobre os africanos, sobretudo os muçulmanos, e reprimiram suas reuniões e práticas religiosas. Os envolvidos também sofreram punições severas, como açoites, prisões, degredo e condenações à morte.
6. A religião islâmica serviu como elemento de união, identidade e organização entre os revoltosos, que utilizavam a fé como forma de resistência à escravidão e ao domínio colonial.
7. A revolta revelou a insatisfação dos africanos escravizados e libertos com a opressão racial e religiosa, além de demonstrar o medo das elites diante da força das comunidades africanas urbanas.
8. a) F b) V c) V d) F
9. Malês / 1835 / liberdade / religião
10. 1 - c 2 - a 3 - d 4 - b
11. As elites temiam que o exemplo dos Malês inspirasse novas rebeliões, ameaçando a estrutura escravocrata e o controle político sobre a população africana.
12. Na Bahia do século XIX, o islamismo foi um símbolo de resistência entre africanos escravizados. Mesmo diante da repressão, os malês mantiveram sua fé e cultura, lutando contra a escravidão e afirmando sua identidade diante da dominação colonial.
13.
Erro: a afirmação de que as mulheres africanas não participaram das atividades políticas e das redes de comunicação.
Correção: as mulheres africanas participavam das relações sociais e das redes de circulação de informações em Salvador. Algumas tiveram conhecimento da conspiração, contribuíram para contatos entre africanos ou estiveram envolvidas nos acontecimentos relacionados ao levante.
Erro: a afirmação de que todas as mulheres que conheciam os planos apoiaram os revoltosos e mantiveram segredo.
Correção: nem todas as mulheres apoiaram a revolta. Informações sobre os preparativos chegaram às autoridades antes do início do movimento. Entre as pessoas que contribuíram para revelar a conspiração estavam mulheres libertas, como Guilhermina Rosa de Souza.
Erro: a afirmação de que as autoridades proibiam as mulheres africanas de trabalhar no comércio de rua.
Correção: muitas mulheres africanas, escravizadas ou libertas, trabalhavam como vendedoras ambulantes e quitandeiras em Salvador. Essas atividades permitiam sua circulação pelos espaços urbanos e favoreciam a formação de redes de sociabilidade e comunicação.
Erro: a afirmação de que nenhuma mulher sofreu consequências das investigações e da repressão.
Correção: mulheres também foram investigadas pelas autoridades após a revolta. A repressão atingiu a população africana de maneira mais ampla, embora as punições variassem conforme as acusações e as provas apresentadas contra cada pessoa.
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Por Jefferson Evandro Machado Ramos (professor e historiador graduado em História pela FFLCH-USP).
Publicado em 10/10/2025 e atualizado em 11/10/2026
Bibliografia indicada:
REIS, João José. Rebelião escrava no Brasil: a história do levante dos Malês (1835). São Paulo: Companhia das Letras, 2003.