Governo Prudente de Morais: características políticas e econômicas
Prudente de Morais foi presidente do Brasil entre os anos de 1894 e 1898.
Quem foi Prudente de Morais
Prudente de Morais foi um advogado e político brasileiro, nascido em Itu, São Paulo, em 1841. Foi o terceiro presidente da República e o primeiro civil a ocupar o cargo, governando o Brasil entre 1894 e 1898. Ligado às elites políticas paulistas e ao Partido Republicano Paulista, sua eleição marcou o início do predomínio civil na Presidência após os governos militares de Deodoro da Fonseca e Floriano Peixoto. Durante seu mandato, enfrentou dificuldades econômicas, conflitos políticos e a Guerra de Canudos, ocorrida na Bahia entre 1896 e 1897.
Período de governo
O governo do presidente Prudente de Morais ocorreu entre 1894 e 1898. Foi o primeiro presidente civil do Brasil, finalizando o período conhecido como República da Espada. Republicano e paulista, Prudente de Morais saiu vencedor nas primeiras eleições da república, ocorridas em 1894.
Realizações e características do seu governo:
- Com seu governo, tem início o período da História do Brasil conhecido como República das Oligarquias. Nesta fase, que durou até 1930, os grandes fazendeiros de São Paulo e Minas Gerais tiveram influência e participação nos rumos políticos e econômicos do país.
- No campo político, seu governo foi marcado pela disputa entre dois grupos, representantes de interesses econômicos diferentes. Um grupo, mais forte, era o dos grandes fazendeiros da região sudeste que exigiam medidas que os favorecessem. Do outro lado, os industrialistas que exigiam maiores investimentos na industrialização do país.
- Tomou medidas no intuito de retirar da política os militares, colocando em seus lugares civis representantes dos grupos econômicos dominantes (principalmente cafeicultores). Estas medidas políticas favoreceram a descentralização do poder (defendida pelas oligarquias), característica combatida pelos militares que defendiam um sistema governamental mais centralizado.
- Combateu, com tropas militares federais, a Guerra de Canudos, ocorrida no sertão nordestino (interior da Bahia) entre 1896 e 1897. O movimento de Canudos tinha como causa principal a miséria do povo do sertão e, ao invés de resolver com políticas sociais, Prudente de Morais, com apoio dos latifundiários, resolveu o problema com uso de força militar e muita repressão.
- No campo econômico, o governo Prudente de Morais enfrentou crise e inflação elevada. Embora tenha adotado medidas para estimular a indústria, a insatisfação popular com os baixos salários e a carestia eram grandes tanto no campo quanto nas cidades.
Problemas e dificuldades enfrentados
O governo de Prudente de Morais enfrentou forte instabilidade política e militar. O presidente precisou lidar com a influência ainda significativa dos setores militares que haviam dominado os primeiros anos da República, além das disputas entre grupos oligárquicos. Também enfrentou as consequências da Revolução Federalista no Sul do país e tensões políticas que culminaram, em 1897, numa tentativa de assassinato contra o presidente, na qual morreu o ministro da Guerra, marechal Carlos Machado Bittencourt.
Outro grande problema foi a Guerra de Canudos, ocorrida no sertão da Bahia entre 1896 e 1897. O governo federal enviou sucessivas expedições militares contra a comunidade liderada por Antônio Conselheiro, e as primeiras derrotas do Exército provocaram forte repercussão política. Ao mesmo tempo, o país atravessava dificuldades econômicas, com problemas financeiros, endividamento e efeitos ainda presentes da crise do Encilhamento. Essas condições tornaram o mandato de Prudente de Morais marcado por conflitos internos, pressões políticas e necessidade de reorganização das finanças públicas.
Como terminou o governo
O governo de Prudente de Morais terminou em 15 de novembro de 1902, marcado pela consolidação da República após um período de instabilidade política. Seu mandato enfrentou desafios como a Revolta de Canudos e a oposição de grupos monarquistas e militares, além de um atentado contra sua vida em 1897. Nos últimos anos de governo, conseguiu pacificar o país e fortalecer a hegemonia das elites agrárias, estabelecendo as bases da chamada "política dos governadores", que favorecia a estabilidade do regime republicano. Ao deixar o cargo, foi sucedido por Campos Sales, consolidando a alternância no poder entre as oligarquias cafeeiras.
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Atualizado em 06/10/2026
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Fontes de pesquisa utilizadas na elaboração do artigo:
CARONE, Edgard. A Primeira República (1889-1930): texto e contexto. São Paulo: Difel, 1969.
BELLO, J. M. História da República, 1889-1954; síntese de 65 anos de vida brasileira. São Paulo: Editora Nacional, 1969.
Bibliografia indicada sobre o tema:
FERREIRA, Jorge Luiz (org.). O Brasil Republicano (volume 1). Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1995.