Bandeira Imperial do Brasil - significado, história, cores, símbolos
Conheça as principais características da bandeira do Brasil Imperial.
História da bandeira
A Bandeira Imperial do Brasil foi instituída em 18 de setembro de 1822, poucos dias após a Independência. Seu desenho apresentava um fundo verde com um losango amarelo e, no centro, o escudo de armas do Brasil. Nesse primeiro momento, o brasão era encimado por uma coroa real, pois D. Pedro ainda havia sido aclamado como imperador, mas não coroado.
Em 1º de dezembro de 1822, data da coroação de D. Pedro I, um novo decreto determinou a substituição da coroa real pela coroa imperial no escudo de armas. Essa alteração adequava o símbolo nacional à nova condição política do país, oficialmente constituído como Império do Brasil.
A criação da bandeira está associada ao pintor e desenhista francês Jean-Baptiste Debret, integrante da Missão Artística Francesa. José Bonifácio de Andrada e Silva, então ministro de D. Pedro I e uma das principais figuras do processo de Independência, também participou da elaboração dos novos símbolos nacionais.
Principais características
A Bandeira Imperial possuía formato retangular, com fundo verde e um grande losango amarelo no centro. Sobre o losango encontrava-se o brasão do Império.
O brasão apresentava um escudo verde com uma esfera armilar de ouro atravessada pela Cruz da Ordem de Cristo. Ao redor da esfera havia uma faixa azul com estrelas brancas que representavam as províncias brasileiras. Inicialmente, o decreto de 18 de setembro de 1822 estabeleceu 19 estrelas.
Sobre o escudo aparecia a coroa, inicialmente real e, a partir de dezembro de 1822, imperial. Nas laterais estavam representados um ramo de café e um ramo de tabaco, unidos na parte inferior. Esses produtos foram escolhidos como símbolos da riqueza comercial do país.
Significados dos elementos da bandeira
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Cor verde: tradicionalmente associada à Casa de Bragança, dinastia à qual pertencia D. Pedro I.
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Cor amarela: relacionada à Casa de Habsburgo-Lorena, família da imperatriz Maria Leopoldina. Posteriormente, o amarelo também passou a ser popularmente associado às riquezas minerais do Brasil.
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Esfera armilar: elemento já utilizado na tradição portuguesa e nos símbolos relacionados ao Brasil antes da Independência. Estava vinculada à expansão marítima portuguesa e à própria representação histórica do território brasileiro.
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Cruz da Ordem de Cristo: representava a tradição religiosa e monárquica portuguesa, estando vinculada historicamente à expansão marítima de Portugal.
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Estrelas: representavam as províncias que formavam o Império do Brasil.
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Ramos de café e tabaco: simbolizavam importantes produtos da economia brasileira e foram definidos pelo decreto de 1822 como emblemas da riqueza comercial do país.
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Coroa imperial: simbolizava a monarquia e a autoridade do imperador brasileiro.
Alterações da bandeira durante o Império
A Bandeira Imperial não permaneceu inteiramente inalterada entre 1822 e 1889. A primeira mudança importante ocorreu ainda em 1822, quando a coroa real foi substituída pela coroa imperial após a coroação de D. Pedro I.
Também ocorreram modificações relacionadas ao número de estrelas do brasão. Em sua criação, havia 19 estrelas, correspondentes às províncias consideradas integrantes do Brasil naquele momento. Com as transformações territoriais e administrativas ocorridas durante o século XIX, essa representação foi sendo ajustada. A separação da Província Cisplatina e a posterior criação das províncias do Amazonas e do Paraná modificaram a organização territorial do Império. Na fase final do período imperial, a bandeira apresentava 20 estrelas.
Essas mudanças demonstram que a bandeira também acompanhava a organização política e territorial do país. As estrelas funcionavam como representação das unidades provinciais que integravam o Império, princípio que, com outra configuração, seria mantido na bandeira republicana criada em 1889.
A bandeira e a construção da identidade do Império
A criação de uma bandeira própria teve grande importância no processo de consolidação da Independência. O novo Estado brasileiro precisava de símbolos que o diferenciassem de Portugal e representassem sua existência como uma nação politicamente independente. A bandeira, o brasão, o hino e outros símbolos contribuíram para legitimar a monarquia de D. Pedro I e fortalecer uma identidade política vinculada ao novo Império.
Ao mesmo tempo, muitos elementos do pavilhão mantinham referências à tradição monárquica europeia e ao passado português. A esfera armilar, a Cruz da Ordem de Cristo, as cores associadas às famílias dinásticas e a coroa evidenciavam essa continuidade. A Bandeira Imperial expressava, portanto, uma característica central da formação do Brasil independente: a criação de um novo Estado sem uma ruptura completa com símbolos, instituições e tradições herdadas do período anterior.
A Bandeira Imperial permaneceu como símbolo oficial do país até a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889. Poucos dias depois, em 19 de novembro, o governo republicano adotou uma nova bandeira, mantendo, porém, o fundo verde e o losango amarelo presentes no pavilhão imperial.
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| Bandeira Imperial do Brasil |
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Artigo publicado em: 18/08/2009. Atualizado em 05/10/2026
Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).
Fontes de pesquisa utilizadas na elaboração do artigo:
Bandeira do Brasil Império - Wikipédia
AMARAL, Sônia Guarita. O Brasil como Império. São Paulo: Editora Nacional, 2013.
MAESTRI, Mário. Uma História do Brasil – Império. São Paulo: Contexto, 1997.
