Anhanguera: quem foi este bandeirante e sua biografia resumida

Anhanguera, cujo nome verdadeiro era Bartolomeu Bueno da Silva, foi um bandeirante paulista do século XVII conhecido por suas expedições ao interior do Brasil em busca de ouro e por sua atuação na exploração e colonização do território de Goiás

 

Quem foi Bartolomeu Bueno da Silva (Anhanguera)?


Bartolomeu Bueno da Silva (1672–1740), conhecido como Anhanguera, foi um bandeirante paulista que se destacou pelas expedições ao interior do Brasil durante o período colonial, principalmente pela descoberta de jazidas de ouro na região do atual estado de Goiás. Sua atuação contribuiu para a expansão da colonização portuguesa em direção ao Centro-Oeste brasileiro e para o desenvolvimento da mineração no século XVIII. Também conhecido como Segundo Anhanguera, herdou o apelido de seu pai, que possuía o mesmo nome e havia participado de expedições pelo interior da América portuguesa no século XVII.


Biografia de Bartolomeu Bueno da Silva


Bartolomeu Bueno da Silva nasceu em 1672, em Santana de Parnaíba, na atual região metropolitana de São Paulo. Era filho de Bartolomeu Bueno da Silva, conhecido como Primeiro Anhanguera, um dos bandeirantes que exploraram o interior do território colonial brasileiro durante o século XVII.

Ainda criança, acompanhou o pai em expedições pelos sertões, conhecendo regiões pouco exploradas pelos colonizadores portugueses. Uma dessas viagens ocorreu na década de 1680, quando participou de uma bandeira que percorreu áreas do atual estado de Goiás em busca de ouro e de outros recursos.

No início do século XVIII, mudou-se para Minas Gerais, atraído pelas descobertas de jazidas auríferas. Estabeleceu-se inicialmente em Sabará e, posteriormente, passou por outras localidades mineradoras, como Pitangui. Durante esse período, adquiriu experiência nas atividades relacionadas à mineração e à administração colonial.

Diante dos conflitos entre grupos de mineradores e das disputas pelo controle das regiões auríferas, retornou a São Paulo. Em 1720, apresentou às autoridades portuguesas uma proposta para organizar uma nova expedição ao interior do Brasil, com o objetivo de localizar as riquezas minerais que seu pai havia procurado décadas antes.

Em 1722, liderou uma bandeira que partiu de São Paulo em direção aos sertões de Goiás. Após sucessivas dificuldades e longas jornadas, conseguiu localizar importantes jazidas de ouro na região do rio Vermelho, em 1725.

Em reconhecimento aos serviços prestados à Coroa portuguesa, recebeu o cargo de capitão-mor das minas e outros privilégios relacionados à exploração da região. Entretanto, com o fortalecimento da administração colonial, perdeu parte de sua autoridade e dos benefícios econômicos anteriormente concedidos.

Bartolomeu Bueno da Silva faleceu em 19 de setembro de 1740, em Vila Boa de Goiás, atual cidade de Goiás. Segundo relatos históricos, morreu em dificuldades financeiras, apesar da importância de suas descobertas para a expansão da mineração colonial.


Suas ações como bandeirante: o que fez Anhanguera?


A atuação de Bartolomeu Bueno da Silva esteve relacionada principalmente à exploração territorial, à procura de metais preciosos e à expansão da presença portuguesa no interior do Brasil. Suas principais ações foram:

  • Participação em expedições pelo interior do Brasil: ainda na infância, acompanhou seu pai em viagens pelos sertões, entrando em contato com regiões habitadas por diferentes povos indígenas e conhecendo caminhos utilizados pelos bandeirantes.

  • Busca por ouro e pedras preciosas: dedicou parte de sua vida à procura de riquezas minerais. Seu principal objetivo era encontrar jazidas que pudessem ser exploradas economicamente, especialmente nas regiões situadas a oeste de Minas Gerais.

  • Organização da bandeira de 1722: comandou uma expedição que partiu de São Paulo em direção ao atual território goiano. A viagem envolveu longos deslocamentos, dificuldades de abastecimento e obstáculos naturais, como rios, serras e extensas áreas de vegetação.

  • Descoberta de jazidas de ouro em Goiás: em 1725, sua expedição localizou depósitos auríferos na região do rio Vermelho. A descoberta estimulou a chegada de mineradores e o estabelecimento de novos núcleos de povoamento.

  • Participação na formação de arraiais: esteve diretamente ligado ao surgimento do Arraial de Sant`Ana, núcleo minerador que posteriormente deu origem à Vila Boa de Goiás, elevada à categoria de vila em 1739.

  • Expansão da colonização portuguesa: suas expedições contribuíram para ampliar a ocupação colonial em direção ao interior da América portuguesa, fortalecendo o controle da Coroa sobre áreas anteriormente afastadas dos principais centros administrativos.

  • Contato e conflitos com povos indígenas: suas viagens atravessaram territórios ocupados por populações indígenas, que já conheciam e utilizavam essas regiões havia muitos séculos. A expansão bandeirante esteve associada à apropriação de terras, à violência e à escravização de indígenas, embora os detalhes de cada episódio envolvendo o Segundo Anhanguera nem sempre estejam documentados.


A origem do apelido Anhanguera

O apelido Anhanguera tem origem na língua tupi e costuma ser traduzido como "diabo velho" ou "espírito maligno antigo". Sua origem está associada a uma narrativa tradicional sobre Bartolomeu Bueno da Silva, o pai, que também era bandeirante.

Segundo a lenda, durante uma expedição pelo interior do Brasil, o Primeiro Anhanguera encontrou indígenas que possuíam objetos de ouro. Interessado em descobrir a localização das jazidas, teria colocado aguardente em uma pequena vasilha e ateado fogo ao líquido.

Em seguida, ameaçou incendiar os rios e as fontes de água caso os indígenas não revelassem onde encontravam o metal precioso. Impressionados com a demonstração, eles teriam indicado a localização do ouro e passado a chamá-lo de Anhanguera.

É importante destacar que essa história pertence à tradição histórica e não possui comprovação documental suficiente para ser considerada um acontecimento inteiramente confirmado. O episódio também costuma ser associado equivocadamente ao filho, embora a narrativa se refira originalmente ao pai.

A importância de Anhanguera para a mineração em Goiás

A descoberta de ouro na região do rio Vermelho, em 1725, representou um acontecimento importante para a história econômica do Brasil Colonial. Até então, a mineração aurífera de maior expressão estava concentrada principalmente em Minas Gerais, enquanto outras regiões do interior ainda não possuíam uma estrutura colonial de exploração mineral semelhante.

Com as descobertas realizadas pela expedição de Bartolomeu Bueno da Silva, Goiás passou a atrair mineradores, comerciantes, trabalhadores livres e pessoas escravizadas. A movimentação econômica favoreceu a abertura de caminhos terrestres, a formação de arraiais e o estabelecimento de atividades comerciais voltadas ao abastecimento das áreas mineradoras.

A expansão da mineração também ampliou a arrecadação de tributos pela Coroa portuguesa, especialmente por meio da cobrança do quinto, imposto correspondente a 20% do ouro extraído. Em 1748, poucos anos após a morte de Anhanguera, foi criada a Capitania de Goiás, separada da Capitania de São Paulo.

Entretanto, a ocupação das regiões mineradoras provocou profundas transformações nas sociedades indígenas. A apropriação de territórios, os conflitos armados e a pressão sobre os recursos naturais comprometeram as condições de vida de diferentes comunidades que habitavam o Centro-Oeste.

Análise histórica: o legado de Bartolomeu Bueno da Silva

A trajetória de Bartolomeu Bueno da Silva representa as contradições do processo de expansão territorial ocorrido no Brasil Colonial. Durante muito tempo, os bandeirantes foram apresentados principalmente como personagens responsáveis pela descoberta de riquezas e pela ampliação das fronteiras brasileiras. Essa interpretação, porém, deixou em segundo plano os interesses econômicos que orientavam suas expedições e as consequências da colonização para os povos indígenas.

As descobertas de Anhanguera contribuíram para transformar Goiás em uma importante região mineradora do século XVIII, favorecendo o crescimento de povoamentos e o fortalecimento do domínio português no interior da América. No entanto, essas mudanças ocorreram em territórios que já eram habitados e conhecidos por diferentes populações indígenas. Portanto, a ideia de que os bandeirantes encontraram terras vazias ou desconhecidas não corresponde à realidade histórica.

Estudar este bandeirante nos ajuda a compreender tanto a expansão econômica e territorial da colonização portuguesa quanto os conflitos e as desigualdades que acompanharam esse processo. Seu legado deve ser analisado considerando a importância de suas expedições para a mineração e, ao mesmo tempo, os impactos da ocupação colonial sobre as sociedades indígenas do Brasil Central.

 


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Atualizado em 08/10/2026

Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).

 

Fontes de pesquisa utilizadas na elaboração do artigo:

 

- BUENO, Eduardo. Capitães do Brasil: a saga dos primeiros colonizadores. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999.

 

- FURTADO, Celso. Formação Econômica do Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 2005.

 

Bibliografia indicada sobre o tema:

 

MOOG, Vianna. Bandeirantes e Pioneiros - paralelos entre duas culturas. São Paulo: Civilização Brasileira, 2005.

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