Exercícios sobre a Revolta da Vacina - com gabarito

Apresentamos 16 exercícios, com gabarito, sobre a história Reforma da Vacina.



Orientações importantes:

- Leiam cada enunciado com atenção antes de responder, observando comandos como "incorreta", "falsas", "exceto", "usando cada expressão uma vez" e "em ordem cronológica". Muitos erros acontecem porque o aluno responde ao que imaginou ter sido pedido, e não ao que realmente foi solicitado.

- Atentem-se a datas, nomes, conceitos e à relação entre eles, pois situar fatos no tempo e identificar seus personagens ajuda a resolver questões de ordenação, de associação e de identificação de erros. Quando houver texto de apoio, usem-no como base da resposta, complementando com seus conhecimentos apenas quando o comando permitir.

- Nas questões discursivas, construam respostas completas, claras e coerentes, explicando o porquê e não apenas citando fatos. Evitem generalizações, não confundam conceitos parecidos como se fossem sinônimos e relacionem causas e consequências para demonstrar que compreenderam o assunto.



1. Em que cidade, mês e ano ocorreu a Revolta da Vacina? Identifique o regime político brasileiro daquele período e explique por que a cidade tinha importância para o governo federal.

 

2. Crie um enunciado (pergunta) para a resposta abaixo:

A vacinação obrigatória contra a varíola foi o motivo imediato dos protestos, mas a Revolta da Vacina também expressou insatisfações com as intervenções urbanas e sanitárias e com a maneira autoritária pela qual o poder público tratava parte da população.

 

3. Coloque os eventos históricos abaixo em ordem cronológica:

- Início dos protestos de rua da Revolta da Vacina, em novembro de 1904.

- Posse de Rodrigues Alves na Presidência da República, em 1902.

- Suspensão da obrigatoriedade da vacinação durante a repressão à revolta, em novembro de 1904.

- Aprovação da lei da vacinação obrigatória contra a varíola, em outubro de 1904.

 

4. Explique o significado da expressão "bota-abaixo" no contexto das reformas do Rio de Janeiro. Apresente um objetivo dessas intervenções e uma consequência para moradores pobres das áreas atingidas.

 

5. Qual era a finalidade da campanha de vacinação contra a varíola? Explique por que reconhecer a importância sanitária dessa medida não impede uma crítica à forma autoritária de atuação das autoridades naquele período.

 

6. Coloque V (verdadeiro) ou F (falso) nas frases abaixo:

a. ( ) Oswaldo Cruz dirigiu campanhas sanitárias durante o governo de Rodrigues Alves.
b. ( ) A lei que provocou os protestos de 1904 estabelecia a vacinação obrigatória contra a febre amarela.
c. ( ) As reformas urbanas contribuíram para a insatisfação de moradores que perderam suas habitações.
d. ( ) A Revolta da Vacina aconteceu durante o Segundo Reinado, sob o governo de dom Pedro II.

 

7. Coloque V (verdadeiro) ou F (falso) nas frases abaixo:

a. ( ) A desconfiança em relação às intervenções sanitárias ajudou a ampliar a resistência à vacinação obrigatória.
b. ( ) Todos os participantes da revolta tinham a mesma origem social e os mesmos objetivos políticos.
c. ( ) Parte dos militares contrários ao governo tentou aproveitar a crise para depor Rodrigues Alves.
d. ( ) Ao final da revolta, Rodrigues Alves foi afastado da Presidência e Oswaldo Cruz assumiu seu cargo.

 

8. Complete o parágrafo abaixo com as palavras, deixando-o historicamente correto.

Em novembro de 1904, a cidade do ____________________ foi palco da Revolta da Vacina. A lei de vacinação obrigatória destinava-se ao combate à ____________________, e o presidente da República naquele momento era ____________________.

 

9. Complete o parágrafo abaixo com as palavras, deixando-o historicamente correto.

Durante os confrontos, manifestantes construíram ____________________ nas ruas para dificultar a passagem das forças de repressão. O governo decretou o ____________________, medida excepcional que restringia garantias individuais, e suspendeu a ____________________ da vacinação.

 

10. Relacione os personagens às suas atuações no contexto da Revolta da Vacina, usando cada letra uma vez:

1 - Rodrigues Alves
2 - Pereira Passos
3 - Oswaldo Cruz
4 - Prata Preta

a) Médico que dirigiu campanhas sanitárias e defendeu a vacinação contra a varíola.
b) Liderança popular que participou da resistência no bairro da Saúde.
c) Presidente da República durante a revolta de 1904.
d) Prefeito associado à remodelação urbana do Rio de Janeiro.

1 - ( )
2 - ( )
3 - ( )
4 - ( )

 

11. Relacione cada situação ao efeito que ela provocou naquele contexto, usando cada letra uma vez:

1 - Demolição de moradias populares em áreas reformadas.
2 - Divulgação de boatos e críticas à vacinação obrigatória.
3 - Construção de barricadas pelos manifestantes.
4 - Repressão policial e militar à revolta.

a) Dificultou a circulação das forças do governo pelas ruas em conflito.
b) Resultou em prisões e no envio de parte dos detidos para regiões distantes.
c) Obrigou famílias a buscar outras formas e locais de moradia.
d) Contribuiu para aumentar temores e desconfianças em relação à campanha.

1 - ( )
2 - ( )
3 - ( )
4 - ( )

 

12. Leia atentamente o texto abaixo e responda à questão proposta:

As autoridades pretendiam transformar o Rio de Janeiro em uma capital com ruas mais amplas e melhores condições sanitárias. A abertura de avenidas e outras obras modificou áreas centrais e foi acompanhada pela demolição de numerosas habitações populares.

Para famílias atingidas pelas remoções, a transformação da cidade podia significar perda de moradia e dificuldades para continuar perto do trabalho. Assim, os benefícios anunciados pelas autoridades não eram vividos da mesma maneira por todos os moradores. Texto elaborado para este exercício.

Com base no texto, explique por que a modernização da capital também podia aprofundar a exclusão social. Relacione sua resposta à situação das famílias removidas.

 

13. Leia atentamente o texto abaixo e responda à questão proposta:

A Revolta da Vacina reuniu manifestações de rua nas quais se expressavam diferentes insatisfações com o poder público. Trabalhadores e outros moradores participaram dos conflitos, em meio à resistência à obrigatoriedade da vacina e ao descontentamento com intervenções na cidade.

Ao mesmo tempo, setores da oposição política e parte dos militares procuraram aproveitar a crise para enfraquecer ou derrubar o governo. Esses interesses não se confundiam necessariamente com as reivindicações de quem protestava nas ruas. Texto elaborado para este exercício.

Com base no texto, diferencie as insatisfações populares dos objetivos dos militares que tentaram depor o presidente. Explique por que não é adequado atribuir uma única intenção a todos os participantes.

 

14. Leia o texto abaixo, que apresenta três informações historicamente incorretas sobre a Revolta da Vacina:

Em novembro de 1904, a Revolta da Vacina ocorreu em São Paulo, então capital federal. Os protestos estavam relacionados à obrigatoriedade da vacinação contra a varíola e às tensões provocadas pelas intervenções urbanas e sanitárias. Naquele momento, Oswaldo Cruz ocupava a Presidência da República. Após os confrontos, o governo manteve a obrigatoriedade da vacinação sem suspendê-la.

Identifique os três erros e reescreva cada informação de maneira historicamente correta.

 

15. Explique as afirmações FALSAS das questões 6 e 7, indicando os motivos pelos quais estão incorretas.

 

16. Elabore um texto historicamente correto sobre a Revolta da Vacina, usando todas as palavras e expressões abaixo. Relacione o contexto urbano, os protestos e a reação do governo.

Rio de Janeiro; varíola; vacinação obrigatória; reformas urbanas; população; repressão.


_________________________________

GABARITO:


1.

A Revolta da Vacina ocorreu no Rio de Janeiro, em novembro de 1904, durante a Primeira República. A cidade era a capital federal e reunia a Presidência e outras instituições nacionais. Por isso, os conflitos em suas ruas atingiam diretamente o centro do poder político e a imagem de modernização que o governo desejava construir.

 

2. Exemplo de enunciado:

Qual foi o motivo imediato da Revolta da Vacina e que outras insatisfações contribuíram para o movimento?

Outras formulações são aceitas, desde que peçam a identificação do motivo imediato e de fatores urbanos, sanitários ou políticos, conduzindo à resposta apresentada. Uma pergunta limitada ao nome da doença não contempla todo o conteúdo do texto.

 

3.

1º - Posse de Rodrigues Alves na Presidência, em 15 de novembro de 1902.
2º - Aprovação da lei da vacinação obrigatória contra a varíola, em 31 de outubro de 1904.
3º - Início dos protestos de rua, em 10 de novembro de 1904.
4º - Suspensão da obrigatoriedade da vacinação, em 16 de novembro de 1904.

A sequência mostra que o governo já estava em exercício quando a lei foi aprovada. A mobilização nas ruas ocorreu depois da aprovação, e a suspensão da obrigatoriedade foi uma resposta à crise, acompanhada de medidas repressivas.

 

4.

"Bota-abaixo" foi a expressão associada às demolições realizadas durante a remodelação do Rio de Janeiro no início do século XX. As intervenções buscavam abrir e alargar vias, reorganizar espaços urbanos e melhorar as condições sanitárias da capital. Para numerosos moradores pobres, entretanto, a destruição de habitações significou deslocamento e dificuldade para obter moradia acessível perto do trabalho. O aluno pode mencionar a procura por habitações em subúrbios ou morros, sem afirmar que todas as famílias tiveram o mesmo destino.

 

5.

A campanha buscava prevenir a varíola e reduzir o impacto de uma doença que provocava epidemias e mortes. Esse objetivo sanitário deve ser distinguido dos métodos de atuação do Estado. A imposição de medidas, a comunicação insuficiente e experiências de intervenções coercitivas alimentavam o receio de violações da privacidade e da autonomia dos moradores. Assim, é possível reconhecer a utilidade da vacinação e criticar a maneira de conduzir a política pública. A resistência de 1904 precisa ser compreendida nesse contexto histórico, sem ser tratada como prova de que a vacina era inútil.

 

6.

a. V - Oswaldo Cruz esteve à frente da Diretoria Geral de Saúde Pública no governo Rodrigues Alves e dirigiu ações de combate a doenças.
b. F - A obrigatoriedade que motivou os protestos referia-se à vacina contra a varíola, e não contra a febre amarela.
c. V - A perda de moradias e as dificuldades decorrentes das remoções contribuíram para o descontentamento com as autoridades.
d. F - A revolta ocorreu na Primeira República. O Segundo Reinado terminara em 1889.

 

7.

a. V - A desconfiança em relação à ação das autoridades e os temores ligados à campanha sanitária favoreceram a resistência.
b. F - O movimento envolveu pessoas e grupos com diferentes condições sociais e interesses.
c. V - Parte dos militares oposicionistas tentou derrubar Rodrigues Alves durante a crise.
d. F - Rodrigues Alves permaneceu na Presidência, e Oswaldo Cruz não o substituiu.

 

8.

Rio de Janeiro; varíola; Rodrigues Alves.

O parágrafo situa o movimento na então capital federal, identifica a doença combatida pela vacinação e indica o presidente em exercício. Também se aceita o nome completo Francisco de Paula Rodrigues Alves.

 

9.

Barricadas; estado de sítio; obrigatoriedade.

As barricadas eram obstáculos usados na resistência das ruas. O estado de sítio ampliou os poderes de repressão do governo, enquanto a suspensão da obrigatoriedade representou um recuo em relação à imposição da vacinação. Esse recuo não significou o abandono da vacina como forma de prevenir a varíola. Na última lacuna, também se aceita "imposição", pois mantém o sentido histórico do parágrafo.

 

10.

1 - c
2 - d
3 - a
4 - b

Rodrigues Alves era o presidente da República; Pereira Passos era o prefeito associado às reformas da capital; Oswaldo Cruz dirigia as campanhas sanitárias; e Prata Preta, apelido de Horácio José da Silva, destacou-se na resistência popular no bairro da Saúde. As associações distinguem as funções desses personagens, evitando confundir a chefia do governo com a direção da saúde pública.

 

11.

1 - c
2 - d
3 - a
4 - b

As demolições deslocaram moradores; a circulação de boatos e críticas ampliou a desconfiança; as barricadas dificultaram o avanço das forças repressivas; e a repressão resultou em prisões e deportações de parte dos detidos. Esses efeitos ajudam a compreender a relação entre as condições de vida, a mobilização nas ruas e a resposta do Estado.

 

12.

A modernização podia aprofundar a exclusão porque seus custos recaíam de maneira desigual sobre os moradores. Embora as obras prometessem melhorias na circulação e nas condições sanitárias, famílias removidas perdiam suas habitações e precisavam encontrar alternativas de moradia. A dificuldade para permanecer perto do trabalho podia aumentar despesas e tornar a vida cotidiana mais difícil. O texto permite perceber que transformar a aparência e a infraestrutura da capital não garantia, por si só, melhores condições de vida para todos.

 

13.

Entre os moradores que protestavam, havia insatisfações relacionadas à vacinação imposta, às intervenções do poder público e às mudanças na cidade. Já os militares envolvidos na tentativa de deposição tinham o objetivo político de derrubar o presidente. Não é adequado atribuir uma única intenção ao conjunto porque a participação nos conflitos podia reunir reivindicações cotidianas, temores sanitários e projetos de disputa pelo poder. A simultaneidade das ações não significa que todos obedeciam à mesma liderança ou defendiam o mesmo programa.

 

14.

Erro 1: afirmar que a revolta ocorreu em São Paulo e que essa cidade era a capital federal.
Correção: a Revolta da Vacina ocorreu no Rio de Janeiro, que era a capital federal em 1904.

Erro 2: afirmar que Oswaldo Cruz ocupava a Presidência da República.
Correção: o presidente era Rodrigues Alves. Oswaldo Cruz era o médico responsável pela direção das campanhas sanitárias federais.

Erro 3: afirmar que a obrigatoriedade da vacinação foi mantida sem suspensão após os confrontos.
Correção: em 16 de novembro de 1904, durante a crise, o governo suspendeu a obrigatoriedade da vacinação e decretou o estado de sítio. O recuo nessa exigência ocorreu em meio à repressão ao movimento.

 

15.

- Questão 6, afirmação b: confunde duas doenças e suas campanhas. A vacinação obrigatória de 1904 se destinava à prevenção da varíola. Na campanha contra a febre amarela, uma ação central era o combate aos mosquitos transmissores.

- Questão 6, afirmação d: situa a revolta em um regime político anterior. Em 1904, o Brasil era uma república, e o governo federal era chefiado por Rodrigues Alves. Dom Pedro II deixara de governar em 1889.

- Questão 7, afirmação b: apresenta os participantes como um grupo uniforme. Havia moradores com diferentes experiências sociais, opositores políticos e militares, cujas motivações não eram idênticas. Não se deve reduzir toda a revolta a um único objetivo.

- Questão 7, afirmação d: descreve uma mudança de governo que não aconteceu. A tentativa de deposição fracassou, Rodrigues Alves continuou presidente e Oswaldo Cruz permaneceu ligado às ações sanitárias, sem assumir a Presidência.

 

16. Exemplo de texto:

Em novembro de 1904, o Rio de Janeiro foi palco da Revolta da Vacina. A vacinação obrigatória contra a varíola provocou resistência em uma cidade já marcada pelas reformas urbanas e pelas dificuldades enfrentadas por moradores removidos de suas habitações. A desconfiança em relação às autoridades e os receios sobre as intervenções sanitárias contribuíram para mobilizar parte da população. Houve confrontos e barricadas nas ruas, enquanto setores militares tentaram derrubar o governo. A reação das autoridades combinou repressão, prisões e a suspensão da obrigatoriedade da vacinação. Rodrigues Alves permaneceu na Presidência. O episódio evidencia que uma política de saúde pode ter um objetivo sanitário importante e, ao mesmo tempo, gerar conflitos em razão de sua imposição e das desigualdades sociais.

* Observação: outros textos são aceitos, desde que utilizem todas as palavras e expressões solicitadas, relacionem o contexto urbano aos protestos e à reação do governo e mantenham a precisão histórica.

__________________________________

Exercícios elaborados por Jefferson Evandro Machado Ramos (graduado em História pela Universidade de São Paulo).

Publicado em 12/06/2025 e atualizado em 12/10/2026

 

Fontes:


SEVCENKO, Nicolau. *A Revolta da Vacina*: mentes insanas em corpos rebeldes. São Paulo: Scipione, 1993.

SOUTO MAIOR, A., História do Brasil. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1968.

Veja também