Exercícios sobre a Guerra dos Mascates - com gabarito

A Guerra dos Mascates foi um movimento nativista do início do século XVIII. Teste seus conhecimentos com estes exercícios.

 

EXERCÍCIOS DE HISTÓRIA SOBRE A GUERRA DOS MASCATES:



- Após responder, confira o gabarito no final da página



1. A Guerra dos Mascates foi um conflito que ocorreu no início do século XVIII entre:

a) Senhores de engenho de Pernambuco e indígenas da região amazônica.
b) Comerciantes de Recife e senhores de engenho de Olinda.
c) Escravos quilombolas e o governo português.
d) Jesuítas e bandeirantes paulistas.
e) Comerciantes baianos e mineradores de Minas Gerais.



2. Um dos principais motivos da Guerra dos Mascates foi:

a) A luta pela liberdade religiosa entre católicos e protestantes em Pernambuco.
b) O conflito por domínio sobre o comércio marítimo entre portugueses e holandeses.
c) A rivalidade econômica e política entre comerciantes de Recife e aristocratas rurais de Olinda.
d) O aumento dos impostos cobrados pela Coroa sobre o açúcar produzido em Pernambuco.
e) A resistência dos colonos ao domínio espanhol durante a União Ibérica.



3. A criação da Câmara Municipal de Recife, que gerou forte reação entre os olindenses, representava:

a) A tentativa da Coroa portuguesa de consolidar o poder dos senhores de engenho.
b) A autonomia administrativa concedida aos jesuítas pela Igreja Católica.
c) O reconhecimento da autonomia municipal de Recife e a ampliação da influência política de seus comerciantes.
d) A submissão de Recife ao domínio político da Bahia.
e) A descentralização completa do poder colonial em Pernambuco.



4. No contexto da Guerra dos Mascates, o termo "mascates" era usado pelos senhores de engenho para designar depreciativamente os comerciantes de Recife. Esse termo:

a) Era uma forma respeitosa de se referir aos nobres europeus residentes na colônia.
b) Designava vendedores ambulantes e era aplicado aos comerciantes de Recife para diminuir seu prestígio social.
c) Indicava os administradores coloniais nomeados diretamente pela Coroa.
d) Referia-se aos militares portugueses destacados para Pernambuco.
e) Era um título concedido aos vereadores das câmaras municipais da colônia.



5. A Guerra dos Mascates pode ser interpretada como uma demonstração de:

a) Harmonia entre as classes sociais da colônia diante da presença holandesa.
b) Conflito entre diferentes grupos coloniais em busca de maior poder político e econômico.
c) Disputa entre os colonos e a Igreja por influência nas missões religiosas.
d) Revolta dos indígenas contra a escravidão imposta pelos bandeirantes.
e) União das elites coloniais para expulsar os africanos libertos da zona urbana.



6. Explique como as tensões sociais e econômicas entre Olinda e Recife contribuíram para o desencadeamento da Guerra dos Mascates.



7. Analise as consequências políticas da Guerra dos Mascates para a administração colonial portuguesa em Pernambuco.



8. Coloque V (verdadeiro) ou F (falso) nas frases abaixo:

a. ( ) A Guerra dos Mascates envolveu diretamente o conflito entre comerciantes de Recife e senhores de engenho de Olinda.

b. ( ) A Coroa portuguesa apoiou os olindenses, pois temia o crescimento econômico dos comerciantes.

c. ( ) O conflito resultou na destruição completa de Olinda pelas tropas recifenses.

d. ( ) Ao final do conflito, foi mantida a autonomia municipal de Recife em relação a Olinda.



9. Coloque V (verdadeiro) ou F (falso) nas frases abaixo:

a. ( ) A guerra refletiu tensões entre o poder econômico tradicional rural e o emergente urbano-comercial.

b. ( ) O nome "mascate" era originalmente um título de prestígio concedido aos comerciantes da metrópole.

c. ( ) A Guerra dos Mascates teve como objetivo comum aos dois grupos a independência de todo o território colonial em relação a Portugal.

d. ( ) A rivalidade entre Olinda e Recife se intensificou com a expansão comercial de Recife e as dificuldades financeiras de senhores de engenho após a expulsão dos holandeses.



10. Complete o parágrafo com as palavras que faltam, deixando-o historicamente correto.

A Guerra dos Mascates teve como pano de fundo a rivalidade entre a aristocracia rural de Olinda e os comerciantes de __________________, que buscavam maior autonomia. A concessão de uma câmara municipal a Recife foi vista como uma afronta pelos olindenses, o que gerou um conflito marcado por tensões __________________ e políticas.



11. Complete o parágrafo com as palavras que faltam, deixando-o historicamente correto.

O termo "mascate" era usado de forma pejorativa para se referir aos comerciantes de Recife, enquanto os senhores de engenho de Olinda se consideravam socialmente superiores. A _______________ da câmara de Recife foi um dos estopins da guerra, revelando os interesses ________________________ entre os dois grupos.



12. Relacione os eventos ao seu impacto:

1. Criação de uma Câmara Municipal própria em Recife
2. Ataque dos olindenses a Recife durante o conflito
3. Apoio da Coroa portuguesa à autonomia municipal de Recife
4. Ampliação da participação dos comerciantes nas decisões locais

a) Reduziu a subordinação administrativa de Recife à Câmara de Olinda.
b) Resultou na derrubada do pelourinho, símbolo da autonomia da vila.
c) Reafirmou a decisão régia que contrariava os interesses da elite olindense.
d) Fortaleceu a influência política da elite mercantil recifense.

1. (    )
2. (    )
3. (    )
4. (    )



13. Relacione os aspectos do conflito às suas características:

1. Rivalidade entre senhores de engenho e comerciantes
2. Perda da exclusividade da Câmara de Olinda sobre a administração de Recife
3. Intervenção das autoridades nomeadas pela Coroa portuguesa
4. Manutenção de uma Câmara Municipal própria em Recife

a) Preservou a administração municipal de Recife separada da de Olinda.
b) Reprimiu a rebelião e restabeleceu a autoridade régia na capitania.
c) Limitou o controle político exercido pela elite olindense sobre Recife.
d) Expressou a disputa por prestígio, interesses econômicos e poder local.

1. (    )
2. (    )
3. (    )
4. (    )


14. Leia atentamente o texto abaixo e responda à questão proposta.

"A guerra civil que abalou Pernambuco no início do século XVIII foi marcada por disputas de poder entre grupos locais. A ascensão econômica de Recife incomodava a velha aristocracia de Olinda, que via sua influência ameaçada. A intervenção das autoridades portuguesas restabeleceu a autoridade régia e preservou a autonomia municipal de Recife."

A principal disputa destacada no texto refere-se:

a) À luta por terras entre colonos e indígenas.
b) Ao conflito religioso entre católicos e protestantes.
c) À rivalidade entre os poderes rural e urbano na colônia.
d) Ao domínio da produção açucareira pelos escravos libertos.
e) À oposição dos colonos ao monopólio comercial português.



15. Leia atentamente o texto abaixo e responda à questão proposta.

"Ao conceder a Recife o direito de ter sua própria câmara, a Coroa portuguesa atendia aos interesses de um grupo economicamente forte, mas que buscava uma administração municipal própria, separada de Olinda. Isso gerou tensões com Olinda, cuja elite sentia-se desvalorizada."

O trecho destaca que:

a) Olinda era economicamente mais poderosa que Recife e não aceitava mudanças políticas.
b) A Coroa portuguesa se opôs à criação da Câmara de Recife por temer novos conflitos.
c) Recife possuía força econômica, mas lutava por reconhecimento político.
d) A elite de Olinda apoiava os comerciantes de Recife em busca de união.
e) A concessão da câmara visava atender aos desejos dos senhores de engenho.



16. Escreva um parágrafo historicamente correto usando as seguintes palavras: Olinda, Recife, comerciantes.



17. Escreva o significado das palavras abaixo:



a) Mascate: ___________________


b) Câmara Municipal: ___________________


c) Conflito: ________________


d) Aristocracia: __________________

 

______________________________

 

Gabarito explicativo:


1. b) A Guerra dos Mascates opôs principalmente comerciantes de Recife, muitos deles portugueses, e senhores de engenho ligados a Olinda. Os dois grupos disputavam influência política, prestígio social e interesses econômicos em Pernambuco, no início do século XVIII.

2. c) A rivalidade envolvia o crescimento do comércio recifense, as dificuldades financeiras de parte dos senhores de engenho e a disputa pelo controle da administração local. Muitos proprietários rurais dependiam de empréstimos concedidos pelos comerciantes. A busca de Recife por autonomia municipal agravou essas tensões.

3. c) Uma Câmara Municipal própria permitia a Recife administrar assuntos locais sem depender da Câmara de Olinda. Isso ampliava a influência política dos comerciantes recifenses e reduzia o controle da elite olindense sobre a povoação. A autonomia municipal não significava independência em relação a Portugal.

4. b) Mascate designava um vendedor ambulante. Os senhores de engenho aplicavam o termo de forma depreciativa aos comerciantes de Recife para desqualificar sua posição social, mesmo quando estes eram negociantes ricos e estabelecidos. O apelido expressava o desprezo da elite rural por um grupo que ganhava força econômica e política.

5. b) O conflito mostra que as elites coloniais não formavam um grupo homogêneo. Proprietários rurais e comerciantes podiam ter interesses divergentes e disputar acesso às instituições locais. Na Guerra dos Mascates, diferenças econômicas e sociais se combinaram com a luta pela autonomia municipal de Recife.

6. A tensão entre Olinda e Recife tinha raízes econômicas, sociais e políticas. Senhores de engenho ligados a Olinda enfrentavam dificuldades relacionadas à concorrência internacional do açúcar e ao endividamento, enquanto comerciantes de Recife se beneficiavam das atividades portuárias e comerciais. Parte dos proprietários rurais dependia de crédito fornecido por esses negociantes, mas se considerava socialmente superior a eles. A Câmara de Olinda também exercia autoridade sobre Recife. A elevação de Recife à categoria de vila, determinada em 1709 e efetivada em 1710, com Câmara própria e pelourinho, ameaçou esse controle e contribuiu para desencadear o conflito armado.

7. A intervenção das autoridades portuguesas reprimiu a rebelião e restabeleceu a autoridade da Coroa em Pernambuco. A autonomia municipal de Recife foi mantida, permitindo a continuidade de uma Câmara própria e ampliando a influência política dos comerciantes. A elite olindense perdeu o controle administrativo que exercia sobre Recife, mas os senhores de engenho não deixaram de ter poder econômico e social. O resultado foi uma alteração no equilíbrio político local, dentro da ordem colonial portuguesa, e não a concentração de todo o governo da capitania nas mãos dos comerciantes.

8. a. V / b. F / c. F / d. V.

a) Verdadeira. Os principais grupos em confronto eram os comerciantes de Recife e os senhores de engenho ligados a Olinda, embora outros setores da população também tenham participado dos acontecimentos.

b) Falsa. A Coroa concedeu a Recife a condição de vila e o direito a uma Câmara própria, contrariando a resistência da elite olindense. A intervenção régia manteve essa autonomia e reprimiu a rebelião; não teve como objetivo impedir o crescimento comercial de Recife.

c) Falsa. Olinda não foi completamente destruída por tropas recifenses. O conflito envolveu ataques, cercos e violência, mas a afirmação exagera suas consequências. Um episódio importante foi a ocupação de Recife pelos olindenses e a derrubada de seu pelourinho.

d) Verdadeira. A autonomia municipal de Recife em relação a Olinda foi preservada após o conflito. Essa autonomia dizia respeito à administração local e permanecia subordinada à autoridade portuguesa.

9. a. V / b. F / c. F / d. V.

a) Verdadeira. A guerra expressou tensões entre a elite rural ligada à produção açucareira e a elite mercantil fortalecida pelo comércio de Recife. Esses grupos também mantinham relações de dependência econômica, sobretudo por meio do crédito.

b) Falsa. Mascate não era um título de prestígio concedido pela metrópole. Era uma designação de vendedores ambulantes, usada depreciativamente pela elite olindense contra os comerciantes de Recife.

c) Falsa. Os dois grupos não compartilhavam um projeto de independência de todo o território colonial. O conflito se concentrou nas disputas locais por autoridade, autonomia municipal e interesses econômicos. A hostilidade de parte dos olindenses aos comerciantes portugueses não equivale a um movimento nacional de independência.

d) Verdadeira. O fortalecimento comercial de Recife e as dificuldades de parte dos proprietários rurais, após a expulsão dos holandeses, agravaram a disputa por prestígio e poder. A dependência de crédito dos comerciantes contribuiu para aumentar o ressentimento de senhores de engenho.

10. Recife / econômicas. O primeiro espaço identifica o centro comercial que buscava autonomia municipal em relação a Olinda. O segundo destaca que a guerra não se limitou a uma divergência administrativa: envolveu dívidas, crédito, comércio e dificuldades da produção açucareira, além da disputa política.

11. Criação / divergentes. A criação da Câmara própria de Recife foi um dos fatores que desencadearam o confronto, pois reduzia a autoridade de Olinda sobre a povoação. Os interesses eram divergentes porque os comerciantes desejavam ampliar sua participação política, enquanto a elite olindense procurava preservar seu controle. Na primeira lacuna, também é adequada a palavra “instalação”.

12. 1 (a), 2 (b), 3 (c), 4 (d).

1 (a): A Câmara própria estabeleceu uma administração municipal em Recife, reduzindo sua subordinação à Câmara de Olinda.

2 (b): Ao ocupar Recife, os olindenses derrubaram o pelourinho, um símbolo da condição de vila e de sua autonomia municipal. O ato contestava a decisão da Coroa.

3 (c): O apoio régio à autonomia de Recife reafirmou uma decisão que contrariava a pretensão da elite olindense de manter o controle administrativo sobre a povoação.

4 (d): A participação dos comerciantes nas decisões locais ampliou a influência política da elite mercantil, aproximando seu poder institucional de sua importância econômica.

13. 1 (d), 2 (c), 3 (b), 4 (a).

1 (d): A rivalidade reuniu disputas por prestígio social, interesses econômicos e poder político. As relações de crédito e a autonomia municipal estavam entre os principais pontos de tensão.

2 (c): A existência de uma Câmara própria em Recife limitou o alcance da autoridade da Câmara de Olinda sobre aquela localidade. Isso não significou o desaparecimento da elite rural.

3 (b): A intervenção das autoridades portuguesas reprimiu a rebelião e restabeleceu o comando régio na capitania, mantendo Pernambuco sob domínio da Coroa.

4 (a): A manutenção da Câmara recifense preservou uma administração municipal separada da de Olinda, sem tornar Recife independente de Portugal.

14. c) O texto contrapõe a aristocracia rural de Olinda aos grupos comerciais de Recife. A disputa destacada envolve o equilíbrio entre essas elites e o acesso ao poder local. A referência à intervenção portuguesa mostra que o conflito ocorreu dentro da estrutura colonial.

15. c) O trecho destaca a diferença entre a força econômica dos comerciantes e sua busca por uma administração municipal própria. A concessão da Câmara permitia ampliar sua influência nas decisões locais, contrariando os interesses da elite de Olinda.

16. Exemplo de resposta: Durante a Guerra dos Mascates, senhores de engenho ligados a Olinda entraram em conflito com comerciantes de Recife, que buscavam maior influência política e uma administração municipal própria. A rivalidade envolvia interesses econômicos, relações de crédito e a resistência da elite olindense à autonomia de Recife.

O parágrafo relaciona corretamente as três palavras ao identificar os grupos em confronto e a disputa pela administração local. Também deixa claro que a autonomia reivindicada por Recife era municipal, dentro do domínio português.

17. a) Mascate: vendedor ambulante. No contexto da Guerra dos Mascates, o termo foi usado de maneira depreciativa pelos senhores de engenho para se referir aos comerciantes de Recife, inclusive aos negociantes ricos e estabelecidos.

b) Câmara Municipal: instituição de administração local das vilas e cidades. No período colonial, tratava de assuntos como abastecimento, fiscalização de atividades econômicas, obras e normas locais. Seus cargos eram ocupados por membros das elites, conhecidos como “homens bons”, e não resultavam de participação democrática de toda a população.

c) Conflito: disputa ou confronto entre indivíduos ou grupos com interesses divergentes. Pode envolver divergências políticas, econômicas ou sociais e assumir formas violentas ou não. Na Guerra dos Mascates, as tensões entre as elites de Olinda e Recife levaram a confrontos armados.

d) Aristocracia: grupo social privilegiado, associado à nobreza ou a famílias que reivindicam distinção e autoridade. No contexto estudado, “aristocracia rural” designa a elite de proprietários de terras e engenhos ligada a Olinda, que valorizava sua posição social e seu poder político, sem que todos os seus integrantes necessariamente possuíssem títulos de nobreza.

 

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Exercícios elaborados por Jefferson Evandro Machado Ramos (graduado em História pela FFLCH-USP)

Publicado em 01/07/2025 e atualizado em 13/10/2026

 

Fontes:

 

MELLO, Evaldo Cabral de. A fronda dos mazombos: nobres contra mascates, Pernambuco, 1666-1715. São Paulo: Editora 34, 2003.

 

HOLANDA, S. B. de. História Geral da Civilização Brasileira. 5. ed. São Paulo: Difel, 1982.

Veja também