Sertanismo de Contrato: o que foi, objetivos, exemplo e consequências

O sertanismo de contrato foi uma atividade realizada por bandeirantes brasileiros.

 


O que foi

 

O sertanismo de contrato foi uma atividade exercida pelos bandeirantes paulistas no período colonial. Surgido no século XVII, consistia na organização de expedições (bandeiras de contrato) lideradas por bandeirantes que partiam para o interior do Brasil para capturar negros foragidos e combater tribos indígenas rebeladas e quilombos. Estas bandeiras de contrato eram financiadas por autoridades coloniais, grandes fazendeiros e senhores de engenho, principalmente da região nordeste do Brasil. Além de pagamentos em espécie, muitos destes bandeirantes receberam lotes de terra como recompensa por suas atividades.

 

Contexto histórico do surgimento

 

O Sertanismo de contrato surgiu no contexto da crise das bandeiras apresadoras de indígenas. Com a forte oposição da Igreja Católica ao aprisionamento, comercialização e escravidão de indígenas, muitos bandeirantes buscaram novas atividades.

 

O sertanismo de contrato foi importante no processo de povoamento e expansão da atividade pecuária no sertão nordestino.

 

Objetivos principais do sertanismo de contrato:

 

- Os sertanistas de contrato buscavam atacar e combater tribos de índios que ofereciam resistência à colonização ou que resistiam a tomada de suas terras;

 

- Atacar e destruir quilombos formados por negros (ex-escravizados) foragidos das fazendas. Além de destruir os quilombos, os bandeirantes deviam recapturar os negros para que eles fossem reintegrados ao sistema escravista das fazendas e engenhos coloniais;

 

- Perseguir, localizar e capturar negros foragidos das fazendas e engenhos.

 

Exemplo de sertanismo de contrato

 

O mais relevante exemplo foi a bandeira de contrato organizada e liderada pelo bandeirante Domingos Jorge Velho na primeira metade do século XVII. Esta bandeira combateu várias tribos de índios rebelados no interior dos estados do Ceará e Rio Grande do Norte. O evento ficou conhecido como “A Guerra dos Bárbaros”.

 

Foi também a bandeira de Domingo Jorge Velho que, em 1649, combateu e destruiu o Quilombo de Palmares.

 

Relação com a expansão da pecuária e a ocupação do interior

O sertanismo de contrato esteve diretamente ligado ao avanço da colonização portuguesa para áreas do interior, especialmente no Nordeste. A expansão da pecuária exigia novas terras para a criação de gado, o que aumentou os conflitos entre colonizadores e diferentes povos indígenas que ocupavam essas regiões. Fazendeiros e autoridades coloniais passaram, então, a contratar bandeirantes experientes em expedições armadas para combater grupos indígenas que resistiam à ocupação de seus territórios.

Essas ações favoreceram a abertura de caminhos, a instalação de fazendas de criação e a ampliação das áreas controladas pelos colonizadores. Ao mesmo tempo, provocaram expulsões, mortes, aprisionamentos e deslocamentos forçados de populações indígenas. Dessa forma, o sertanismo de contrato contribuiu para a interiorização da colonização e para a expansão econômica da pecuária, mas esse processo ocorreu por meio de intensa violência contra as populações que já habitavam essas regiões.

 

Impactos e consequências

 

O sertanismo de contrato teve impactos significativos na ocupação territorial e na organização social do Brasil colonial. A expansão dos domínios portugueses no interior foi impulsionada pelas expedições financiadas por fazendeiros e autoridades locais, que resultaram na fundação de novas vilas e povoados. Entretanto, essa ocupação ocorreu à custa da violenta repressão contra indígenas e quilombolas, resultando na redução drástica dessas populações devido a confrontos armados e à escravização. Além disso, a destruição de quilombos, como o de Palmares, reforçou a política colonial de controle sobre populações marginalizadas, consolidando o domínio português em regiões antes pouco exploradas.

 

 

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Artigo publicado em: 22/09/2008. Atualizado em 03/10/2026


Por Jefferson Evandro Machado Ramos
Graduado em História pela Universidade de São Paulo - USP (1994).

 

Fontes de pesquisa utilizadas na elaboração do artigo:

 

FLORES, Moacyr. Dicionário de História do Brasil. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2008.

BUENO, Eduardo. Capitães do Brasil: a saga dos primeiros colonizadores. Rio de Janeiro: Objetiva, 1999.

 

Bibliografia indicada sobre o tema:

 

SANTOS, Marcio. Bandeirantes paulistas no sertão do São Francisco - povoamento e expansão pecuária de 1688 a 1734. São Paulo: Edusp, 2008.

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